O transporte público é um grande vencedor da Copa 2026
Sem grandes obras, as cidades-sede da Copa 2026 apostaram em melhorias operacionais e soluções flexíveis para atender à alta demanda. O resultado mostrou que, em eventos de grande escala, o transporte coletivo é mesmo a única opção e que o investimento pode gerar ganhos que permanecem pós-evento.
As cidades-sede dos jogos da Copa do Mundo nos Estados Unidos têm recebido elogios — quase espantados — pelo sucesso dos seus sistemas públicos de transporte no atendimento ao mar de gente transportado durante o evento.
Por lá, em uma cultura que trata o automóvel como um semideus e que tanto se esforçou para exportar esse mito pelo mundo afora, havia quem desconfiasse da capacidade do transporte coletivo de equacionar o desafio logístico e econômico de levar e trazer milhares de pessoas para os jogos. Mas a verdade é que, em eventos de grande escala, o TP é mesmo a única solução escalável e, portanto, viável. E mais: se bem organizado, logo se torna não a via obrigatória, mas a preferida de todo mundo.
Melhor ainda é que tudo foi feito sem grandes obras. Na Copa brasileira, em 2014, o evento foi utilizado para alavancar projetos gigantescos, com muitos deles nem ficando prontos a tempo ou mudando de escopo no meio do caminho. Claro que é comum e salutar aproveitar momentos extraordinários para fazer a roda girar. Seria, porém, melhor ainda se a entrega física viesse de mãos dadas com maiores investimentos na operação, na integração e na experiência do usuário.
A Copa de 2026 deixou de lado os megaprojetos e usou a ocasião para testar soluções flexíveis e replicáveis, com impacto direto na operação diária dos sistemas. A única que insistiu em construir alguma coisa de certo porte foi Monterrey, que deu com os burros n’água. As duas novas linhas de monotrilho prometidas continuam com os operários em ação.
Em contrapartida, a Cidade do México e Boston aproveitaram para dar uma modernizada, respectivamente, no terminal multimodal de Tasqueña e na estação de Foxborough, próxima ao estádio.
Nova York, Toronto, Guadalajara, Filadélfia e Vancouver puderam apenas ampliar sistemas já existentes para lidar com a demanda extra e, ao mesmo tempo, minimizar o impacto sobre os usuários de sempre. Dallas teve que achar outra saída e usou trens para levar os torcedores até uma estação próxima, enquanto os ônibus fizeram o trecho final. Já em Houston, o metrô salvou a operação, atuando no limite de sua capacidade, apesar da ampla oferta de estacionamento para carros particulares.
De modo geral, foram melhorias em sinalização, manutenção e comunicação com o usuário que fizeram a grande diferença, com destaque para a implementação de métodos de pagamento descomplicados, por aproximação. Tudo isso tornou o TP local mais eficiente, inclusivo e funcional e vai fazer uma bela diferença no dia a dia dos usuários no pós-Copa.